"A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte..."
(Titãs - "Comida" - 1987)
E eu não disse que voltaria?
Confesso, o facebook tirou um pouco meu tesão em fazer essa coluna, pois acabo postando tudo por lá, todos os devaneios, vomitos pop e porcarias em geral que sempre fizeram parte disso aqui. De qualquer forma, acho válido quando dá aquela saudade, vir regurgitar um pouco da pop culture absorvida nos últimos dias.
Com o advento do Twitter também, a coluna deu mais uma broxada (opa!), pois o imediatismo corta um pouco o barato da surpresa, ou seja, um monte de coisas que pintariam por aqui, jás são old por lá.
Mas... vamos tentar alguma coisa.
Abrindo a primeira cerveja do dia.
Bom, vocês sabem da enxurrada de documentários musicais que sairam no Brasil esse ano, e isso é demais! Sou fã confesso de biografias/docs sobre personalidades, bandas/músicas principalmente, e fico feliz em ver tamanha produção por aqui. Ok, é matéria fria, todo mundo já falou, mas recentemente vi dois deles, e sim, são perfeitos, o famoso a-must-have-item.
"Loki" é sem dúvida o registro definitivo e mais completo sobre Arnaldo Baptista, sim, o eterno Mutante.
Confesso, nunca fui grande fã dos Mutantes, e até os acho um pouco superestimados, já que muito do que fizeram teve dedo de outros (Gil, Caetano, Duprat, Tom Zé), mas é impossível negar sua importância. Os Mutantes criavam seus próprios pedais, algo meio Sonic Youth dos anos 60, e faziam um barulho danado, subvertendo a ordem e os "bons costumes" vigentes.
Claro que tudo depende da leitura que se tem, a minha sobre os Mutantes é essa. E eles tem músicas foda sim, tipo essa aqui:
Essa é, aliás, a música que melhor retrata o perfil de Arnaldo. Pra quem não é familiarizado com a história do moçoilo, em resumo, ele fundou o Mutantes com o irmão, era casado com a então (na época) linda vocalista da banda, Rita Lee. Ao separarem, ela saiu da banda, e ele continuou com os Mutantes mais um tempo, tomando doses cavalares de LSD e ácidos em geral. Foi ficando cada vez mais "louco" (entre aspas), viajante musical e pessoalmente, chegando ao ápice com uma tentativa de suicidio em 1984, se atirando da janela do seu Ap quando ia ser internado pela quinta vez. Ficou com sérias lesões cerebrais, se reclusou em MG com sua nova mulher, e está ai, até hoje, levando consigo o estigma de "louco", uma espécie de Syd Barret tupiniquim.
Em sua fase post-mutantes, Arnaldo se juntou com a Patrulha Do Espaço, banda de rock nacional, e fez dois discos memoráveis, com um rockão meio prog/psicodélico de primeira, que não fica a dever pra nomes tipo Yes ou mesmo um Deep Purple. Além disso, lançou também um clássico solo, chamado "Loki?", um dos principais discos do rock nacional daquela safra. Abaixo a faixa título desse disco, esquisitona, meio bossa nova.
Uma das coisas bacanas a falar do Arnaldo, que inclusive aparece no video, é que quando o Kurt Cobain veio ao Brasil, queria conhece-lo de qualquer forma. Ganhou cds d'Os Mutantes e do Arnaldo solo e pirou, chegando ao ápice de escrever um bilhete pro Arnaldo, o qual você ve ai embaixo.
Arnaldo e Cobain? Sim, tudo a ver. Dois gênios musicais, pessoas de personalidade perturbada, chapados de drogas. Cada um do seu jeito, mas com alguma coisa em comum.
Assista o documentário, descubra mais além. Sim, os discos velhos dos seus pais tem coisas mais legais que sua pasta de mp3, te garanto hehe. Olha o trailer ai embaixo:
Aqui embaixo tem um trecho do filme, sortido:
A outra cine-biografia, ou coisa assim, é essa aqui:
"A vida até parece uma festa, e certas horas é só o que nos resta...".
Você já deve estar careca de saber sobre esse documentário, se não sabe, VEJA! Ele é fiel, claro e PERFEITO pra quem é fã dos Titãs.
Sou fã confesso deles, desde moleque, inclusive no show do Hangar 110 esse ano, dei vexame, pagando de tiete mesmo (é o que falaram hehe).
Melhor que o documentário/filme é o livro de mesmo nome, onde tem histórias cabeludissimas, sem censura, desde suicidios comerciais até orgias com cocaina e alcool. Sim, os titãs não são aquela banda bunda-mole da música da novela, ele já foram uma das (se não a mais) bandas mais perigosas do Brasil. Subversivos até o osso, quando queriam, e ridiculamente pop em outros momentos. Mas sem perder a essencia da coisa, a arte. Mas valos falar disso depois. Vamos ao trailer:
É muito dificíl falar dos Titãs, pois me parece algo que todo mundo conhece e já tem uma opinião formada, mas acredito que quem ver esse filme (e principalmente, ler o livro), vai enxerga-los com outros olhos; acredito que melhores.
Os Titãs conseguiram unir, em um conjunto de 8 pessoas, artes cênicas, estética, visual, música, poesia, (a)politica, metal, punk, brasilidades, música pop, música romântica, enfim, tudo, e por isso a considero a mais completa banda de rock do Brasil.
Quantas bandas teriam culhões de lançar uma música como essa, com essa letra, como single nos dias de hoje? Ouve ai:
Anarquismo pouco é bobagem né?
Mas minha música preferida deles, ainda é a que dá titulo a tudo isso:
"Ficar sóbrio não é solução". Não mesmo.
Se não me engano, meu primeiro show dos Titãs, foi um no Vale Do Anhangabaú, de graça, que teve abertura de uma banda nova, um tal de Raimundos, recém chegados de Brasilia.
Então chegamos naquilo que falei acima. A Arte. Sim, ambos ai de cima faziam/fazem ARTE. E onde está essa porra na cena de hoje? Quem faz arte hoje? Dá pra contar nos dedos. Arte é relativo, claro, mas enxergo que seja algo feito com alma, feito de verdade, não pra vender, não pra seguir nada, feito porque se acredita, acima de tudo, e claro, fazendo uso de tudo que é disponível no vasto meio das artes como citei acima, o audio-visual, a estética, a própria antropofagia pop, usar, descartar, destruir e reconstruir.
Como já disse Raul Seixas um dia, "falta é cultura pra cuspir nesta estrutura"; O Brasil precisa de arte.
Sabe quem faz arte, e muito bem, e vai estar por aqui amanhã? Sim, eles mesmos: Faith No More e Jane's Addiction.
O Faith No More é uma das minhas bandas favoritas, desde que lançaram o "The Real Thing", quando os conheci. A desconstrução musical deles foi irreparavél, e deram crias e frutos para dezenas virem depois, fazendo coisas boas e ruins, lógico.
É chover no molhado ficar falando da importância, por exemplo, do "Angel Dust", mas caso você tenha estado na lua nos últimos tempos, ou seja novo demais, vá ouvi-lo. Vai estranhar de primeira, com certeza, mas vai ver que sem aquilo ali, dificilmente teriamos, de Deftones a At The Drive-in.
Um aperitivo do "Angel Dust", uma das músicas mais esperadas pra amanhã:
Vi o show do Faith No More em 1995, no Monsters Of Rock (junto com Alice cooper, Ozzy, Therapy?, Megadeth etc), e foi um dos melhores shows da minha vida. Me lembro de algo curioso que nas duas últmas músicas ("Epic" e "Digging The Grave" se não me engano), deu pau nas luzes do Pacaembu, e eles tocaram as duas músicas totalmente no escuro, um breu total. Ou seja, "não vi" a banda tocando esses sons. haha e pior, na hora ali, achei que era efeito do show, tipo "nossa, eles apagaram o pacaembu inteiro pra tocar estes sons, que foda" haha. Quando houve transmissão na tv (gazeta), explicaram o ocorrido haha.
Abaixo um video desse show, "Evidence" em versão em português. Histórico:
Aqui, mais um desse mesmo show, a doentia "What A Day", em performance explosiva:
E o outro grande do fim de semana, o já citado Jane's Addiction, é o responsavel por eu ir ao Maquinaria e não ao Terra, já que nunca vi a banda de Farrel ao vivo, ao contrário do Sonic Youth e Iggy Pop do outro festival. E sim, na hora que eles tocarem esse som ai de baixo, capaz de me ver enlouquecendo:
Eles deveriam abrir com "Stop!", sério.
É uma honra poder ver o Jane's completinho, claro que com quase 2 décadas de atraso, mas a emoção é a mesma. Um dos mais inventivos guitarristas do rock e o gênio Perry Farrel, que não fez nada demais, "só" inventou o Lollapalooza.
E por falar em Lollapalooza, vamos com mais um clássico do Jane's, tocado no festival supracitado:
Bom, acho que é isso. Agora lá vou eu pro Inferno, discotecar com o rapazote de peruca, dono da banda ai de baixo: