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RESENHA DE SHOWS
Claro Q É Rock (Edição RJ) 27/11/2005 - Cidade Do Rock - Rio De Janeiro/RJ
Como fui convidado por essa pessoa maravilhosa que é o Wladimyr, eu vou dizer o que foi o Claro Q É Rock, sem dúvida um evento inesquecível, com muitas falhas na sua organização, onde gerou atrasos constrangedores que diminuíram as apresentações de todas as bandas, mas nem assim banda por banda deu seu recado e agradou o seu fã que ali estavam.
Os set-list dos shows foram os mesmos que as bandas tocaram em sampa, mas aqui no Rio de Janeiro, tínhamos uma Cidade do Rock bem vazia, nem parecia que iríamos ter no mesmo evento a lenda vida do rock n' roll Iggy Pop e sua seminal banda, os Stooges, e ainda mais NIN com Trent Reznor, um gênio da musica, e Sonic Youth e Flaming Lips bandas que influenciaram bandas como Nirvana.
Eis que os shows começariam as 17:00hs, hora marcada, mas houve um atraso de três horas e meia, que não foi explicado a ninguém. Quando o Cachorro Grande subiu, o lugar do nada lotou, e muita gente cantou as suas músicas e vibraram com "Helter Skelter" dos Beatles.
Logo depois um intervalo de 40 Minutos e ao invés de entrar a Nação Zumbi, que acabou ficando de fora, entrou o hardcore-emo-pop (sei lá, não consigo definir essa banda) do Good Charlotte. Tinha fans que ficaram lá na frente cantando todas as musicas e pelo visto eles agradaram muito.
Outro erro seguido, mais 40 minutos para outra banda entrar, ai quem sobe ao palco é o Fantômas, banda que até agora, acredito eu, que 70% não entendeu o que eles estão criando, acredito que dentro de muitos anos eles vão ser entendidos, pois sua musica é complexa e simples demais, ao mesmo tempo. O Fantômas é daquelas bandas que você ama ou odeia logo de cara, mas eles fazem de tudo que se pode dentro do rock n roll e até mesmo da música industrial criada para cinema, comerciais e desenhos. Eles estão entre uma mistura de tudo, ali tem Slayer nas guitarras, tem Frank Zappa nas invenções, tem Alan Parsons nos projetos de viagem, vocais que variam do rap ao death; é muita doideira junta, sons que ecoam por todo seu cérebro. Muito louco.
Mas vamos a outros loucos, o Flaming Lips, banda que é um show à parte, e o show foi mínimo, apenas 6 musicas: 4 clássicos da banda e 2 covers do Queen e do Black Sabbath, o mesmo que a banda fez em sampa, mesmo assim o publico saiu feliz e muitos até chorando de tanta emoção.
Depois veio a aula, o dia da gloria e da redenção de quem gosta de Ramones, Sex Pistols, Dead Kennedys, Clash, que realmente tem o punk rock na alma. Era Iggy Pop and Stooges, maior banda destrutiva e construtiva da historia do rock n roll. Iggy consegue ser o mesmo a mais 30 anos com um vigor que derrubou o meu agarrado na grade tentando mostrar toda minha adoração por ele e pelo que ele fez na minha vida. O show teve o mesmo set de sampa, chamou a galera para o palco, dançou como uma iguana, se cortou, e fez de tudo que podia, deu um super mosh onde ai finalmente ele sentiu o quanto é amado pelo seus fans.
Logo todos correram para ver o Sonic Youth, que fez um show simples, rápido e muito sujo, acho que o mais sujo que eu já vi, não me impressionou, mas me causou graves e eternos danos aos meus já frágeis tímpanos, e por final o ultimo show.
O NIN detonou, mas já eram 03:30 da manhã e poucos agüentaram ficar até as 05:00hs para ver o NIN fazer uma porra de um show que se tivesse lotado a cidade do rock teria explodido de tão forte, intenso e muito pesado que foi, exceto a parte que ele toca "Hurt" e fez gente como eu que ama Johnny Cash chorar muito, e foi isso ai. Comida cara, um atraso na execução dos shows, muita mulher bonita, muita droga liberada (pois não havia revista), a galera curtiu mesmo com o atraso e todos fizeram a sua parte, mas quero deixar bem claro que o ponto alto do show foi ver o Mike Paton cantando uma musica do funk carioca "bota pra fuder, bota pra fuder" que nossas torcidas de futebol adotaram há anos, e depois mostrar a sua indignação pelo atraso dos shows chamando o festival de "CLARO QUE É MERDA", o que fez o Fantomas subir 50% no conceito da galera só com esse lindo e verdadeiro comentário.
Viva o rock n' roll, viva o punk rock e o seus ícones... Que venha Mudhoney e o Pearl Jam.
Antonio Costa
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