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RESENHA DE SHOWS
My Chemical Romance 17/02/2008 - Hellooch - Curitiba/PR
Confesso, quase me esqueci de ir nesse show, não sei bem o motivo. Que seja, como em todo dia de espetáculo, encarnei o melhor do Gonzo e fui pro show.
A Hellooch, casa que abrigou o show, está de parabéns. Primeiramente, pois o sistema de credenciamento foi simples e fácil, tal qual a entrada na casa. O som, exemplar, sinceramente um dos melhores, senão o melhor, que já ouvi em Curitiba.
Adentrei ao recinto pouco antes das 20:00, horário marcado para ínicio do show. Ops, entrei no lugar errado? Disneylândia? Terra encantada do Mickey? Não, era ali mesmo.
Crianças e adolescentes de idades variantes entre 10 e 16 anos se espremiam na grade, choravam e rezavam para que o tempo corresse e seus ídolos surgissem por trás da cortina negra que escondia o palco.
Enquanto isso, fui conversar com uma segurança do local. Ela me contou que durante a tarde, durante a passagem de som da banda, algumas pessoas que estavam no local tentaram fotografar o grupo, o que causou um reboliço, fazendo-os inclusive interromper a passagem de som. Estrelismo pouco é besteira. Ela contou ainda que sua filha gostaria de ter ido ao show, mas não pode pois amanhã (segunda) começam as aulas. Ah sim, segundo ela, era expressamente proibido tirar qualquer foto da banda durante o show. Acatei, mas vi milhares de celulares com câmera em riste. Wathever. Segui em frente.
Ressabiado, fui para meu posto. Encostei-me no camarote e pontualmente as cortinas se abriram com o MCR tocando "This Is How I Disappear". A histeria foi coletiva, os urros pré-adolescentes eram mais altos que a canção no palco. A partir dali boa parte das meninas no local menstruaram pela primeira vez, tal era a catarse. Beatlamania? Menudo? My Chemical Romance!
A trinca de abertura do show foi matadora, extremamente bem executada, contando com a já citada "This Is How I Disappear", "Dead!" e o hit "I'm Not Okay".
Gerard Way é um verdadeiro frontman, tem total controle sobre o palco e o público, e a banda, esta absolutamente profissional e talentosa, show de mainstream com louvor e todo o merecimento.
O conjunto mesclou em 1 hora e meia de show faixas novas e antigas, sendo que algumas foram destaques óbvios, no caso os singles e hits entre a moçada: "The Black Parade", "House Of Wolves", "Teenagers", "You Know What They Do To Guys Like Us In Prison", "Give 'Em Hell Kid", e claro, o final apoteótico com "Helena".
Entre algumas faixas Gerard cantava 'a capella' hits dos Smiths, Oasis e Lou Reed, que obviamente 99% dos presentes não sabiam do que se tratava e urravam descontroladamente pelo simples fato de Gerard passar os dedos entre os lábios, ou requebrar ao andar.
A iluminação do show é um espetáculo à parte, linda, sincada com o áudio, realmente impressionante.
Ao término do show, fui conversar novamente com a segurança da casa, aquela que me contou sobre o rolo na passagem de som. Ela estava com uma baqueta do baterista do MCR. Segundo ela: "ele jogou e caiu no meu pé, vou levar pra minha filha". Ao menos isso né? Filha de sorte, vão pensar os fãs.
No taxi que me trouxe pra casa, o motorista perguntou: "Que show é esse? Rebeldes? Fazem 2 dias que vejo umas crianças lá esperando". Achei melhor nem explicar o que era.
Em suma, o MCR é uma banda ótima ao vivo, um grande show de rock que vale muito a pena ser visto, tanto pelo profissionalismo quanto pela musicalidade em si. Pra quem acha que é um "show de emo", desculpe, não é, é um show pesado e roqueiro pra cacete, pena que o público não ajuda.
Como canta nosso amigo Fat Mike: "When did punk rock become so safe?"
Wladimyr Cruz
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