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RESENHA DE SHOWS

ZONA PUNK GIRLS TOUR - Gloss, Mixtape, Condessa Safira, HyFy, Killi, Fake Number e Lipstick
20/06/2008 - Hangar 110 - São Paulo/SP

Em mais empreitada inédita, sem medo de encarar todos os trancos e barrancos que toda novidade está sujeita, o Zona Punk, seguindo os moldes da hoje consagrada Vans Zona Punk Tour (um dos eventos mais aguardados do ano), aposta agora nas bandas independentes de vocal feminino. O Hangar era o palco e o show era de estréia e de abertura da Zona Punk Girls Tour. E as mulheres (enfim) eram a maioria no palco e no público. Enganou-se que pensou que o universo girou em torno de saia, batom, meia rastão, chapinha, roupa justa e cabelo repicado. Tinha até um pouco disso mas independente da beleza das garotas (principalmente as que estavam no palco), o destaque mesmo foi para rock n´roll competente de todas as sete bandas que passaram por lá.

A missão de abrir a festa foi da Gloss. O quinteto de Osasco foi formado em 2005 por Beta (vocal), Cau (guitarra e vocal), Tha (bateria), Kah (guitarra solo e vocal) e pela agora nova baixista Cássia. Apesar do set curto, do ainda pouco público, sem dúvida a responsa deixou as meninas com a presença mais contida no palco. A afinação e o poder da voz da vocalista Beta sem dúvida merece o destaque. Destaque para a também ótima "Olhos fechados", música que encerrou o show delas.

Logo na sequência veio a novidade dessa tour: a Mixtape de Curitiba. A banda que ainda nem tem um ano de estrada, já chegou fazendo muito barulho e mostrou no palco do Hangar porque tem conseguido tanto destaque e elogios por onde passa. A voz potente da vocal Pris e o rockão da música "Meu mundo" já ganhou o público de cara e fez a galera que ia chegando prestar atenção e curtir o show. A próxima foi a também ótima "Um erro por um acerto", inclusive com o megafone pra dar o efeito na parte narradinha da versão em estúdio. A galera curtia a simpatia da vocalista, que falou com o público o tempo todo, o peso do baixo da Helen e a animação também simpática baterista Renata que em alguns momentos tocava de pé na bateria, chamando a galera pra agitar. Com a participação especial da Bruna (guitarrista da Condessa Safira), Pris assumiu os teclados e tocaram "Já não quero mais", antes de fechar com a baladinha "Não sou você" .Rolou ainda uma inédita em inglês e uma cover de "Sweet dreams" do Eurythmics. Conseguiram unir a doçura da voz da Annie Lennox e o peso da versão do Marilyn Manson. Incrível.

E era uma troca muito rápida entre uma banda e outra. No palco agora, Condessa Safira. A primeira banda mista até então, conta com Zé Menezes na batera, o simpático Breno Bolan no baixo e voz, a linda Júlia Jups no vocal e Bruna Mariani na guitarra e Voz. Rockão nada inocente e fofinho inspirado no melhor dos anos 70 e em bandas como Forgotten boys e The Donnas (que bebem nessa mesma fonte), a banda colocou a galera pra agitar. Era uma das mais aguardadas e não decepcionou. O vocal cativante da Ju deu o colorido todo especial nas versões ao vivo das já conhecidas "Eu amor" e "Paranóia 66", além de um ótima cover de "Teenagers" do My Chemical Romance. Encerraram com "O inferno de nós dois".

Enquanto uma manifestação na Paulista prejudicava o acesso e a chegada de muita gente, que apesar de pesares já deixava o local mais cheio, os horários apertados fez com o set de algumas bandas fosse diminuido. Caso da HyFy que subiu ao palco na sequência. Numa pegada mais pop hardcore com efeitos e também numa performance mais sensual por parte da baixista Maíra e da vocal Helen que veio com a sua luvinha listrada (também era adorno nos pedestais), inspirada nas modernosas Avril Lavigne e da vocal da banda Paramore. Com disco em produção sob a coordenação de Tadeu Patola e com clipe novo da música "Outro lugar" rolando no Myspace, a HyFy é outra banda mista que tem tudo pra ser em breve o mais novo destaque teen como já são Fresno e Strike. Enquanto a vocal Helen se divide entre as atividades da banda e as resenhas que faz como uma das colaboradoras do nosso querido site, no set apresentam "Rockstar", "Seguir sozinha" e uma cover pesadona e surpreendente de 'Toxic" da Britney spears. A banda tinha preparado várias surpresas especialmente para esse show e sai um tanto chateada por não ter conseguido realizar tudo que haviam planejado e com um público igualmente decepcionado pelo set curtíssimo.

A partir de então, era chegada a hora das bandas mais conhecidas e esperadas por seu público fiel. Banquinha de merchan bombando enquanto o Killi se prepara pra entrar no palco. No espírito total punk, Ju sobe ao palco uma regata amarela estampada com a capa do clássico "Nevermind the Bollocks" do Sex Pistols. Basta muito pouco para nos primeiros acordes reconhecer a importância conquistada através dos anos de estrada e reafirmar porque são uma das mais importantes do cenário independente.
Sons antigos com sons novos, tudo ganha mais força ao vivo com a voz da Ju. O peso do baixo e das guitarras do Paulo e Tavinho e a batera marcada dão o tom que o bom hardcore rolar. Os shows da tour são os últimos antes de banda dar um tempo dos palcos e gravar o mais novo CD. Histórias de amor e muito peso para os sons do set como "Eu não gostei de ver você", "Tudo a perder" e "A carta" com a participação da Jups do Condessa, que também canta com eles na sua versão original. A ótima "Algo novo" e uma cover sensacional de "Feeling this" do Blink 182. Essa tocaram pela primeira vez ao vivo. Fechou lindamente com "Contando os dias', que todo já conhece até do avesso mas é sempre boa de ouvir. Energia incrível e certamente o melhor show da noite. Para alguns, acabou por aqui. Mas ainda muita coisa para acontecer. E a próxima foi: Fake Number.

A banda é a sensação do momento mesmo e um fenômeno que conquista a cada dia mais fãs e "disputava" a preferência deles com Killi e Lipstick. Antes das cortinas se abrirem, um acordezinho de "Segredos que guardei" já causou gritaria. No comando da vocal Elektra, a banda formada também por Pinguim e Gah nas guitarras, Tony na bateria e Diablo no baixo, subiu ao palco cheia de gás e agitou o tempo. Tudo muito redondo, cheio de jogadinhas ensaiadas, como num bom clássico de futebol. Mas se até os nos perfeitos clássicos há problemas um que prejudicou o show foi o som muito alto das guitarras, que deixou a voz da Elektra muito baixa, quase inaudível em alguns momentos. O contraste interessante era que enquanto os meninos da banda pulavam sem parar, a vocal ficou quase o tempo todo do lado esquerdo do palco, cantando junto com o público que tinha todas as letras na ponta da língua. Elektra é bem tranquila, muito humilde dentro e fora do palco, diante da sua já grande importância conquistada no cenário. Uma camiseta branca que pedia abraços e uma troca intensa de amor entre vocal e público contrastava com o clima agitado que o restante da banda impunha, dando o melhor de si para galera que já havia encarado outros 5 show até então. A já citada "Segredos que guardei", "Aquela música", "Platônico" e mais outros do CD de 2007 "Cinco fases de um segredo", compuseram o set com direito a música nova. Um grande show altamente registrado pela grande quantidade de câmeras e celulares que registravam todos os momentos e movimentos. Sairam aclamados, deixando o público com gostinho de quero mais. Mas...

Depois do fenômeno, a mais aguardada.
Com total a moral e competência para ser a atração principal dessa tour, a Lipstick foi a banda que fechou os shows da noite.
Antes das cortinas se abrirem de vez, com a banda já no palco, à capela a vocal Mel Ravasio canta o refrão de "Descontrolada". Foi a música que abriu o show. Com uma troca de energia total entre público ancioso e banda feliz da vida, as lindas garotas fizeram um deixando o clima do show super agitado, com o público cantando e pulando com elas e mesmo nas baladinhas, agitou sem parar. Mel disse: "Uma tour só de meninas. Isso aí, mulheres dominando o mundo". Suficiente para gritaria geral. A sempre ótima "Cada segundo que eu tinha" que a gente não cansa de ouvir, a cover "Nanana" do Wonkavision, "Eu sei" foram algumas das músicas do set.

Uma troca de figurinhas incrível entre todas as bandas que mais do que só ter a semelhança de ter mulheres na suas formações, têm em comum o fato de colocar a galera pra agitar, cada um no seu estilo, mas rock n´roll da melhor qualidade. E se pode dizer que essa tour tem uma frase que a simbolize, eu vou na cola da Helen da HYFy que disse certa vez o que é para ela fazer um som e estar numa banda e digo: "Eu acho que é para isso que a música serve: para compartilhar sentimentos”.


Andrea Ariani


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