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RESENHA DE SHOWS
Gogol Bordello @ Tim Festival 24/10/2008 - Arena - Parque Do Ibirapuera - São Paulo/SP
Atenção! Este texto é pessoal, intransferível, parcial, anti-ético e
não contém elementos introduzidos em aulas de jornalismo.
Assim como a maioria das boas histórias, esta também começa em um
boteco. Mais precisamente no bar do Parque Ibirapuera que fica na
frente da Arena montada pelo TIM Festival 2008 para "lavar a alma"
depois do fiasco que foi a edição do ano passado (calma fãs xiitas, eu
não estou falando do line-up, e sim dos atrasos).
A mesa deste bar foi o local escolhido por mim para ficar ouvindo do
lado de fora as atrações de música eletrônica que tocavam antes do
Gogol Bordello. Sim, eu não fiz a mínima questão de assistir Dan
Deacon ao vivo, e só entrei pro show daqueles que minha mãe batizou de
"Gipsy Kings do inferno".
A canção escolhida para abrir o show foi "Ultimate", primeira faixa do
mais recente álbum do grupo, "Super Taranta" (2007), único CD do Gogol
Bordello lançado no Brasil. Dali em diante, o que se viu foi um
eclético espetáculo daquilo que os integrantes, e principalmente a
imprensa, gostam de chamar de "gipsy punk". Durante pouco mais de uma
hora de apresentação, o tresloucado vocalista ucraniano Eugene Hutz
promoveu uma verdadeira celebração à música do Leste Europeu, com direito a acordeom, violino e dançarinas orientais que gritavam, cantavam e não paravam de pular. Vale citar também o figurino das moçoilas: blusinhas do Santos. Aquele mesmo, o Futebol Clube.
Cantando com um sotaque "à lá Borat", Eugene Hutz também não pára um
segundo em cima do palco. Empunhando o inseparável violão, ele corre
de um lado pro outro, estoura cordas do instrumento e no melhor estilo
"mendigo de rua", bebe um vinho direto da garrafa.
Quando Wander Wildner escreveu "Hippie punk rajneesh", ele jamais poderia imaginar que alguém se adequaria tão bem ao título desta música quanto o
frontman do Gogol Bordello.
No repertório estavam todas aquelas canções que o público queria ouvir: "Wonderlust king", "American wedding", "Mala vida". E o hino do 'punk cigano', "Start wearing purple", que ganhou fama ao integrar a trilha-sonora do filme "Uma vida iluminada" (2005), onde o vocalista do grupo divide as cenas com Elijah Wood. A canção começou com uma
pequena homenagem ao Brasil, com Eugene se arriscando no português para cantar trechos de "Ela não gosta de mim", do Agepê, e "Morena tropicana" do Alceu Valença.
Ao final da curta apresentação, que tem tudo para ser a melhor da edição 2008 do festival, a platéia bem que tentou pedir bis, mas infelizmente não foi atendida. Fui embora da arena ao som do
bate-estaca "Destination Unknown" do Alex Gaudino e com um pensamento
fixo na cabeça: "Quem foi o imbecil que enfiou o Gogol Bordello no
meio de um monte de DJs?".
Denis Romani
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