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RESENHA DE SHOWS

ABC Pro HC 12: New Found Glory, Gloria, Granada, Hateen, Dance Of Days, Garage Fuzz, Envydust, Cueio Limão, Nitrominds, Fake Number, Catch Side + bandas
15/11/2008 - Salão Social do Palestra Itália - São Paulo/SP

ABC Pro HC em São Paulo é tipo ROck In Rio em Lisboa. Não há lógica geografica, mas o espírito é o mesmo.
O tal do Salão Social do Palestra Itália não é dos melhores lugares do mundo para se fazer um show, a logistica fica comprometida, como por exemplo o fato de ter de subir a um camarote para comprar E beber a cerveja, já que em teoria você não poderia descer à pista com a lata, coisa facilmente resolvivel caso você tivesse bolsos largos ou mesmo uma mochila. Fora isso e alguns detalhes a mais, tudo bem.
O ABC Pro HC, para nós que trabalhamos com a tal "cena", é como um meeting empresarial, pois encontra-se todo mundo, sociabiliza-se e faz-se novos e velhos contatos com a galera do meio. Amigos e inimigos dividem o mesmo espaço, bandas concorrentes e amigas dividindo o mesmo equipo. Para o público, a chance de ver, por um preço acessível, uma porção de bandas top do cenário pelo valor de uma.
Por serem muitas bandas e o grau etílico deste escriba estar um pouco além -como de praxe em eventos com a marca ABC Pro Hc-, para melhor formar as idéias, vamos comentar show por show, separadamente.



Com dois palcos de estrutura parecida, a primeira banda a qual assisti foi o Catch Side, conjunto teen que segue os passos de nomes como Forfun e Strike. O show não sai muito do habitual destas bandas, com canções alegres e show "pra cima". Hardcore-pop para a garotada. Apesar do conjunto ja ter um certo nome, poucos haviam chego ao Palmeiras neste horário.



O Fake Number, no palco grande, já deu um gostinho do que a banda está se encaminhando a ser, o mais novo fenômeno pop-mainstream para a moçada. Elektra melhorou muito em sua postura de palco, sabendo comandar bem a massa e encantando, marmanjos e mocinhas com faixas do disco "Cinco Faces De Um Segredo", e claro, a já manjada cover do Paramore.
O Fake Number é aquele típico caso de banda que trabalha duro, e tanto esforço se mostra válido, tanto no salto de qualidade que a banda teve, quanto pela resposta do público, cada vez maior e mais ligado ao conjunto.



Apesar de parecer um pouco deslocado no line-up, o Nitrominds trouxe o hardcore pro popularmente e pejorativamente conhecido 'abc pro emo'. O trio do ABC Paulista continua sua longa estrada tocando música punk em seu formato mais agressivo, o hardcore, sem perder é claro o flerte com o crossover. André, Edu e Lalo aproveitaram bem seu tempo no palco 2 e criaram uma das maiores rodas de pogo de todo o festival, tudo embalado a sons como "Policemen", "Flowers And Common View" e "Start Your Own Revolution".



Pulando de um hardcore a outro, o conjunto seguinte foram os mestres do Garage Fuzz. O conjunto mostrou ali, só mais uma vez, que a qualidade técnica e musical que eles vem fazendo há 15 anos é irrepreensivel e imbatível. A banda santista foi uma luz para a galera mais velha presente no local, tocando (quase) todos os hits de sua carreira, num show simples e eficiente. Highlight do show? "A Mutt Running Nowhere", que só com seu riff introdutório já valeu mais que muita banda que havia se apresentado antes.
O conjunto seguinte teria que suar muito a camisa para superar a apresentação do GF, e assim o fez, ainda mais contando com uma horda de fãs.



O Envydust subiu ao palco e executou um show que conseguiu unir nesta mesma frase os adjetivos brutal e sofisticado. Explico. Por mais pesado e urrado que o conjunto esteja tocando, sua musicalidade está cada vez melhor trabalhada e explorada, sofisticando assim o inferno na terra que são as canções da banda.
Com as principais faixas de seus dois discos, Max e seus cult-metalheads não deixaram pedra sob pedra, transformando o Abc Pro HC naquele momento numa filial do Hellfest, com direito a wall of death e tudo mais.
Envydust, cada dia melhor e mais impressionante.



Um dos maiores colecionadores de hit do festival, o Dance Of Days, se redimiu com a galera após uma apática apresentação no Abc Pro HC 9, aquele com o The Used, e fez nesta noite o melhor dentre os shows nacionais. Um endiabrado Nenê Altro comandou a festa, interagindo com público e banda de forma magistral, doente e natural. Há tempos não via o DoD tão inspirado, tocando com tanta energia e garra, com suas palavras de (des)ordem ecoando dentro e fora da cabeça dos presentes. O set também colaborou, com faixas como "Interlúdio", "Se Essas Paredes Falassem...", "Com Você Não Vou Ter Medo", "Essa Música Me Diz Tanto Que Nem Sei Como Não Tem Meu Nome" e fechando com o ode ao caos, "Correção". Depois de tudo isso, as crianças do campo só reverenciavam seu Apanhador.



Cueio Limão. A banda de Dourados/MS, que está lançando novo cd, há tempos não era vista em grandes festivais, mas seu 'retorno' se mostrou grande. A garotada se esbaldou nos hits de outrora e no mais novo single, "Quando Tocar Na TV". O conjunto continua com seu espirito divertido e fanfarrão, tirando um pouco da seriedade do momento e colocando fogo no incansável público.

Armados apenas das canções de sua fase mais recente, em português, o Hateen fez um concerto mais voltado pra galera mais jovem, já que o Nitrominds e GF fizeram a alegria dos mais velhos anteriormente. Rodrigo Koala trocou a lingua das músicas, mas não perdeu seu carisma como frontman, apoiado ainda pelos sempre presentes Fabrizio e Sonrisal.
Hits das fms como "Quem Já Perdeu Um SOnho Aqui" e "Minha Melhor Invenção" rechearam o set list dos pioneiros do post-hardcore brasileiro.



A maratona foi chegando ao fim e os bons moços do Granada subiram ao palco para mostrar algumas faixas de seu próximo disco, e claro, os hits do álbum anterior.
Com uma apresentação de arena e total controle da galera, o Granada fez a alegria das meninas, que já histéricas esperando o New Foung Glory, aproveitaram para lançar um frenesi sobre os meninos. Com o show que o Granada está agora, não demora nada para que este seja o próximo, com louvor e direito, a lotar um Via Funchal ou casa de mesmo porte.
Degrau a degrau, a banda está subindo a escada ao estrelato, no bom sentido, é claro.



Os shows do Gloria no ABc Pro Hc já são de praxe, históricos, brutais e de uma energia incrivel, e desta vez não foi diferente.
Mi, o pequeno notavél, com toda sua grandeza de frontman, não perdoou e fez a molecada se esgotar de pogar, cantar e tudo mais a que se tem direito.
As faixas tocadas pareciam ser trilha sonora permanente do festival, já que todos cantavam em plenos pulmões. A banda correspondia com um show pesado e profissional, fechando com chave de ouro mais um ano de apresentações em festivais e shows grandes.
Este foi, definitivamente, o ano do Gloria. Mais que merecido.



E finalmente, no palco, o tão aguardado New Found Glory.
Confesso que jamais fui fã do grupo, mas seu show, mesmo para quem não é fã, é de se impressionar. Banda profissional, totalmente a vontade e com controle da situação, humildade e simples, com um carrossel de hits na manga, assim fica fácil fazer um show inesquecível.
O set foi parecido com o dos outros shows pela América Do Sul, incluindo ai a execução dos covers "Kiss me", do Sixpence None the Richer e "Iris", do Goo Goo Dolls.
O público paulistano - ou deveria dizer brasileiro, já que pessoas de várias partes do país estavam presentes - bradou todas as músicas, muitos incrédulos ainda, realizando um sonho, e a banda sentindo essa vibração, correspondendo a altura, com uma simpatia e um carinho estampados claramente em suas faces e atitudes, além de é claro, muita energia ao tocar sons como "Hit Or Miss", "Forget My Name", "Sonny" e "My Friends Over You", esta que fechou a noite.

O Abc Pro HC é o maior evento desta cena punk/hardcore/emo/pop/chapinha no cabelo, e mesmo com alguns erros, é uma verdadeira celebração, ainda mais quando se encerra desta forma, realizando o sonho de toda uma galera, deixando o público exausto e satisfeito.

Fotos por: Bruno Massao / Tatiane Andrade / Orelha / Caio Paifer


Wladimyr Cruz


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