Flaming Nights 8 - c/ Dead Fish, MopTop, Autoramas, Monno e The Dead Lovers Twisted Heart 20/06/2009 - Lapa Multishow - Belo Horizonte/MG
Apostando no gosto eclético do público, o produtor Bart (53HC) lutou contra o estereótipo e chamou 5 bandas de estilos bem variados para montar o elenco da Flaming Nights 8: Monno, The Dead Lovers Twisted Hearts, Moptop, Autoramas e Dead Fish. Do indie-rock ao hardcore, uma mistura pra lá de interessante e intrigante.
O local escolhido para o festival não podia ser melhor, o Lapa Multshow. Com estrutura para 1500 pessoas, a casa praticamente lotou recebendo pessoas de várias tribos, cada uma aguardando um show específico. Para o produtor a premissa destas festas é justamente forçar esses encontros, tanto de estilo musical como de público, promovendo assim uma miscigenação de música sem preconceitos valorizando ainda mais a cena local.
Shows
Monno - Quem abriu a noite foi a local Monno. A banda é símbolo do indie-rock bem executado de BH: com letras inusitadas, muita distorção em suas guitarras e baixo e uma bateria forte em todas as músicas, Monno já abriu shows da conterrânea Skank e seu EP “Agora” foi indicado como um dos melhores de 2008 pelo programa Alto Falante, no início deste ano.
Sem medo de provocar os fãs extremistas do hardcore, Bruno Miari cantou confiante fazendo um belíssimo show, com direito a baladas como “O Pouco Que Eu Quis” e músicas mais pesadas como “Enquanto o Mundo Dorme” e “Um Dia” – música antiga que (quase) nunca é colocada no setlist, mas que sentiu-se necessária para manter a vibe rock’n’roll da noite. Fugindo com estilo de comentários desnecessários de alguns, Monno fez um ótimo show festejando a mistura de pessoas que os assistiam: foi a única banda que conversou com o público, aplaudindo a iniciativa da 53HC para valorizar a cena independente da cidade. Provavelmente este foi o show mais curto do festival, pelo peso de ser a banda de abertura. Uma pena. Mostraram menos do que poderiam mostrar, mas mesmo assim o show não deixou de ser muito bem executado e reverenciado pela galera que cantava junto vários de seus hits.
The Dead Lovers Twisted Heart - Com pouco tempo de espera entre um show e outro, Dead Lovers subiu no palco mostrando suas músicas em inglês, com destaque para "All Things" e a nova "Backwards". O som da banda - a mais peculiar da noite - mistura rockabilly e folk com vertentes eletrônicas, carregando influências de Franz Ferdinand e Yeah-Yeah-Yeahs. Parece estranho, mas não é. O show quebrou um pouco o clima do rock da casa inaugurando a hora da calmaria: muitos dançavam em um canto, outros apreciavam o som mais de perto, mas ninguém deixou de prestar atenção e aplaudir. Talvez esta devesse ser a banda de abertura, justamente para a noite crescer conforme os estilos musicais - algo como ver Björk entre Hot Chip e Juliette & The LIcks no Tim Festival de 2007.
Moptop – Numa pegada roqueira e dançante, os meninos se apresentaram de maneira exemplar trazendo de volta ao festival um ritmo rápido e dançante. A partir daí, foi só festa. Emplacando um hit no outro, Gabriel Marques e sua voz rouca acionaram gritos de fãs que cantavam e dançavam conforme a música, comemorando o retorno de shows na cidade. Como banda convidada, foi um pouco maior que os anteriores, animando a galera para a noite que ainda prometia ótimos momentos.
Autoramas - Sem dúvida alguma, o power trio fez o show mais performático da noite. Preparando-se para a gravação de DVD e uma extensa turnê pela Europa, a banda apresentou suas melhores músicas num show repleto de caras, bocas e coreografias ensaiadas entre Gabriel Thomaz e Flávia Couri, a nova baixista. O Autoramas esbanjava profissionalismo e presença de palco: é engraçado que, mesmo com poucos instrumentos, um trio pode ser tão forte e pesado, fazendo um show completo. Guitarra simples rasgada fazendo riffs que grudam na cabeça, baixo pesado e marcante completado com a bateria que pulsa num ritmo certeiro. Um belo show.
Dead Fish - Chegava o momento mais esperado da noite. Uma das maiores e mais respeitadas bandas de hardcore do país fechou o festival impondo respeito. Em completa sinergia com seu público, Dead Fish marcou presença mostrando o que sabem de melhor: agitar, energizar, tocar.
Grande parte do público que lotou o Lapa era de fãs ansiosos por Dead Fish, sendo o único show que precisou de vários seguranças para conter a animação perto do palco. Rodas, empurra-empurra, moshs proibidos: tudo isso fez com que o final de noite fosse revigorante, mostrando que não havia uma alma cansada no local - porém, muitas bêbadas. Contratempos a parte, não pecaram em nada, exalando simpatia por todos os lados. Quem ficou até o final certamente saiu de lá com a alma lavada e literalmente molhada de tanto suar, cansados e roucos de tanto cantar. Outro belo show, completamente diferente do que abriu a noite, mas em hipótese alguma pior, ou melhor.
No fim, a cena mineira está com tudo! A 8ª Flaming Nights foi uma bela festa com casa lotada, muita gente feliz e bonita. Bart e a equipe da 53HC estão de parabéns pela organização; que venha a Flaming Nights 9 com Matanza e Zumbis do Espaço, dia 4 de julho.
Texto e Fotos: Maripê
Imagens deste show:
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