A-Ok, Rancore, No Lie, One Day, + bandas 28/06/2009 - Tribe House - São Paulo/SP
Nada como a velha e boa nostalgia para revigorar a vida, e despoluir a alma. Após dois anos de encerramento das atividades, e alguns shows depois disso, seja de despedida ou de reunião, o A-Ok voltava aos palcos de São Paulo para mais uma apresentação. Do lado, o Rancore, promissora banda de bom rock trazia mais força ao evento, bem feito e que contou com uma boa galera no público.
Não pude acompanhar todas as bandas de abertura, mas ouvi das pessoas que a maioria trouxe boa música e desempenhou bom papel, sobretudo o Realta, do ABC paulista.
Quando cheguei a casa, acompanhei os argentinos, simpáticos por sinal, do One Day. No melhor espanhol possível a galera entendia o que banda queria passar, mas ficou mais fácil se entender com o som. Bom hardcore melódico, pegada rápida e cantos ajudados pelos backings vocals. A presença de palco é intensa, com pulos, berros e correria. Os hermanos deram o recado e não quiseram criar polêmica na 'sadia' briga entre brasileiros e argentinos. Para eles, somos todos amigos e gostamos de música. Nada mais certo.
Em seguida a agitação dos gringos, subiu ao palco o No Lie, do ABC. O, normalmente quarteto, estava desfalcado de seu guitarrista que teve problemas particulares e não pôde tocar. Com isso, a banda perdeu certa força, mas desenvolveu bem seu trabalho. De cara mostrou um som novo, de guitas fortes e bom canto. A partir daí soltou outras músicas, como 'Conspirando' e 'Sobreviver' que destacam um certo tom de metal da banda, com riffs pesados e trabalhados. O destaque fica para o baterista Marcelo, velho da cena, que toca em pé, gira as baquetas e demonstra toda a técnica adquirida.
Após uma troca de palco mais longa, os curitibanos do A-Ok deram o ar da graça. O espírito hardcore tomou conta e fãs, de todas as epócas da banda, se aglomeravam pertos do palco. A saudade de tempos áureos em que a banda dividia palco com Dead Fish e companhia bateu, mas por mais de meia hora, foi saciada com muita energia. Aliás, muita mesmo.
Sempre com seu tom sarcástico e risório, Daniel, vocalista, mandou suas mirabolantes frases enquanto tudo era ajeitado. Nos conformes, a banda agradeceu a cada um presente, fez elogios ao Rancore, e iniciou a 'reunião de amigos' com 'Contato', do álbum 'Samurai'. Do último trabalho da banda, ainda passaram 'Alternativa', 'Código', 'Encerrando ciclos' e 'O herói'. O guitarrista Thiago, sempre endiabrado, comia as notas na guitarra e mantinha o ritmo da trupe, formada por Ricardo, Raphael e Hayden. No palco, o A-Ok segue forte, com a mesma pegada e contágio de outrora. Dos cds mais antigos rolou outros hits. 'Incógnita', 'Cativeiro', 'Diante do Mar' e o som com o nome da banda, 'A-Ok', mostraram a velha cara do quinteto e deliciou os espectadores das antigas. Do disco 'Absurdo' tocaram: 'Individualismo', 'Associado', 'Audiência' e fecharam o show com 'Sentimento incapaz'.
Mais do que o som da banda, qualidade, execução e simpatia, o tom realmente é a energia. Com a frase 'não vou dizer que será a última vez que verei vocês', o show terminou com um clima de êxtase e sentimento de fortalecimento. Aqueles shows que lavam a alma. Tomara que mais reuniões sejam feitas. Reza a lenda, que o segundo semestre pode ser tempo para mais shows do A-Ok. Depois do show pude conversar com os integrantes e sentir a gratidão pelo belo desempenho obtido. Risadas e mais risadas demonstram a naturalidade da banda.
Após a boa dose de nostalgia, para fechar a noite subiu ao palco o Rancore. Com grande qualidade musical e num momento de crescimento, a banda colocou a bandeira Liberta e se libertou, mais uma vez. A sequência das seis primeiras faixas do último álbum da banda foi executada logo de cara. 'Canto gritando', 'Respeito é a lei', 'Temporário', 'Liberta', 'Escadacronia' e 'Bem aqui' mostraram todo potencial da banda e por que estão aonde estão. O público cantava junto, se emocionava e agitava sem parar. O grande detalhe do começo da apresentação ficou por conta do tombo de Teco, vocalista, que por algum tempo ficou desmaiado. Após breve parada, ele voltou como se nada tivesse acontecido e demonstrou toda presença de sempre. Com pouco tempo para mandar o repertório, a banda emendou com uma bela intro para 'Yoga, stress e cafeína' e depois lançou a forte 'M.E.I'. Para fechar, hardcore na veia, com 'Quarto escuro', que fez a galera berrar e sacar os bate-cabeças de sempre. O fato chato ficou para um fã da banda que de alguma maneira conseguiu entortar o joelho e ter uma contusão séria.
De qualquer maneira, noite memorável no clube das mulheres, ou tribe house, como quiser. Sensação de rock de qualidade, seja de outros tempos, ou dos atuais. Vida longa a tudo isto, principalmente a sensação de bem estar.
Confira abaixo as fotos deste show clicadas pelo colaborador Jefferson Ramos.
Guilherme Menezes
Imagens deste show:
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