Every Time I Die & Bring Me The Horizon Na California 18/09/2009 - Soma - San Diego/CA
California. Skate e Hardcore são palavras que dizem muito sobre as cidades daqui. O calor é forte nesta época e o clima praiano, idem. Não dá vontade de tirar as havaianas!
Mesmo que estivesse frio, acredito que o calor seria o mesmo dentro da Soma, local onde aconteceram os shows do Bring Me The Horizon e Everytime I Die, em San Diego, neste fim de semana. Meu QG fica aqui em Costa Mesa, há 1h30 min. do local do show, e depois de pegar um trânsito igual ao da Paulista às 18h em meio de semana na entrada de San Diego, cheguei na hora.
Fui acompanhada pelo fotógrafo Will Marques, quem tem me ensinado muitas novidades e técnicas interessantes sobre fotografia durante minha estadia na California, e a quem serei eternamente grata pela força. Logo na entrada encontramos com o Adam Elmakias, fotógrafo de bandas que mora em San Diego, bastante conhecido pelo belo trabalho, que eu admiro muito. E quem me ajudou bastante na hora do show, no meio da quantidade de meninas histéricas que não davam espaço pra chegar ao palco, até a entrada do cercado para fotógrafos credenciados, de onde eu começaria a o trabalho.
A energia com que os ingleses do Bring Me The Horizon se apresentam desde a primeira música até a última é impressionante. O letreiro luminoso com as iniciais da banda seguia em harmonia com as músicas, até cegava às vezes. O vocalista Olive Sykes vinha tão perto que ficava até difícil fotografar. Ele subia nas caixas, pulava de volta no palco, se jogava no público insanamente, onde alcançasse.
Já na segunda música, o vocal pede para a galera que assistia se dividir em dois grupos, e nos primeiros acordes acontecer o ‘Wall of death’. Nessa hora, eu nem queria olhar pra cima do palco, só queria registrar a onda de gente que se trombava com violência. Sim, violência é uma palavra que muitas vezes vem à cabeça durante o show, mas não por maldade, sim pela excitação que o show causa. É o que se vê na hardcore dance dentro do mosh pit por todo o show.
Quando tocaram "The sadness will never end", o vocal da Architects subiu ao palco e cantou junto, e foi extremamente bem recebido.
O som era literalmente ensurdecedor, muito alto, mas igualmente afinado, redondo e harmonioso, em um encontro do hardcore e do metal em sintonia. Certamente, foi muito mais alto do que qualquer show que eu já fui. E imagine um lugar do tamanho da casa de shows Espaço Lux (ABC Paulista - SP), sem a área do mezanino, completamente lotado, de ponta a ponta. Era algo parecido.
Na última música, "Football Season Is Over", Oliver sobe no P.A. lateral, uns 3 metros mais ou menos de altura do palco. No final da música, ele se lança no mais alto stage diving (ou um P.A. diving??? Uau!), em cima dos fãs frenéticos que o devolveram ao palco aos gritos. Confesso que a cena da queda deu até um frio na barriga. E aí é que estava a graça.
Na pausa de um show pro outro, vi que muita gente foi embora, na maioria, os mais jovens. O que não impediu que a mesma energia tomasse conta da pista. Ficou quem gostava mesmo de Every Time I Die, banda de Buffalo/NY.
Em seu set list, a banda que faz um estilo que mistura southern rock e hardcore contava com muitas das músicas do novo álbum intitulado "New Junk Anesthesic", como também hits clássicos como "The new black" e "Kill the music".
Esse show também teve participação de vocalista de outra banda, a Oh, Sleepers, banda cristã do Texas que faz um som pesado, porém bem melódico e bem trabalhado. O circle pit que se formou me distraiu do show, não dava vontade de olhar pro palco mais. Tomava conta de metade da pista, em ritmo acelerado, mal dava pra entender o que acontecia lá dentro em meio à concentração.
Não pense que só tinha espaço para homens exalando suor e testosterona à flor da pele, existiam algumas meninas correndo no círculo, e com direitos iguais. Tanto a dançar quanto no risco de se machucar. Como no meu caso, que mesmo estando longe do mosh pit, em um instante, o reflexo do empurra-empurra se estendeu repentinamente, e veio imprensando quem estivesse parado na frente, em minha direção. Algum pé acertou a minha perna, quando eu me virava de lado pra me proteger, e doeu bastante. Mas a galera dispersa rapidamente, assim como a dor, e saem todos rindo do susto. O sangue está quente, a gente não sente muita coisa além da euforia e contentamento.
Ainda assim, havia espaço para pequenos adolescentes com a família, como o menino de 12 anos que assistia ao show de perto do palco, sobre os ombros do pai. Como eu sei a idade dele? Todos no local souberam quando o vocal, em uma pausa entre músicas, olhou pra ele e se espantou com um rapaz tão jovem presente, e perguntou. O menino respondeu gritando. Quando Keith perguntou se era seu primeiro show, ele confirmou com a mão, e o vocal nem precisou pedir por aplausos. Certamente foi um momento que esse pequeno infante jamais esquecerá.
O vocalista Keith Buckley estava quase sem voz quando falava com o público, mas tirava voz da alma na hora de cantar, sem desafinar ou falhar em uma só canção.
A banda encerrou o show convidando todos a subirem no palco e curtirem a última música bem de perto. Clássico final feliz.
Texto e Fotos: Mel Nader
Imagens deste show:
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