Indie Rock Festival c/ Super Furry Animals e Gogol Bordello 10/11/2009 - Via Funchal - São Paulo/SP
"Onde você estava no momento do apagão?". Essa parece ser a frase mais popular do momento (assim como comentários inúteis sobre "a saga da minissaia da Uniban"). Enquanto reles mortais respondem "vendo televisão", "estudando", ou "atualizando meu Twitter", eu tenho orgulho de dizer: estava no Indie Rock Festival, alheio ao escuro que atingia o mundo exterior, graças ao abençoado gerador da Via Funchal.
Pontualmente às 22h, o Super Furry Animals sobe ao palco com uma plaquinha de "Apllause". Com o passar do show, eles foram percebendo que iriam precisar muito desse artifício para arrancar algum esboço de reação da plateia. O grupo galês é uma personificação do nome do festival, e apesar do som "redondinho", nem mesmo o carisma do vocalista Gruff Rhys serviu para conquistar aqueles que não eram fãs da banda. Já quem estava lá pra ver o grupo se empolgou com a mistura de rocks, baladas e efeitos sonoros, apresentada em músicas como "Slow life", "Rings around the world", Golden retriever", e o grande sucesso "Hello sunshine", que foi hit em rádios brasileiras na década de 90.
A grande notícia do blecaute veio ainda durante o show dos "super animais peludos", via mensagem de celular. Mas como eu já disse, quem estava lá dentro não precisava se preocupar com isso, e podia curtir tranquilamente outras canções como "Crazy naked girls" e "The man don't give a fuck". Depois da passagem de placas como "Danke" e "Woah", o Super Furry Animal encerrou o show deixando a plaquinha de "Applause" no palco. Mas não adiantou muito. Nessa hora o público já pedia em coro: "Gogol! Gogol! Gogol!".
PAUSA PARA UM APELO EMOCIONAL: Gogol Bordello foi a banda protagonista da minha primeira resenha no Zonapunk, escrita em uma época em que eu ainda nem fazia parte da equipe do site. Quando o grupo participou do Tim Festival 2008, eu era apenas um simples jornalista (com diploma) que gostava de escrever sobre música. (Leia a resenha aqui).
Continuando: a banda multiétnica de gipsy-punk entrou em campo com o jogo ganho, pois a maioria das pessoas que estavam ali, ali estavam para curtir a festa cigana. Usando uma camiseta do estado de Pernambuco, Eugene Hutz chega correndo com seu característico bigodão e com a animação que impulsionou o sucesso do grupo. A plateia incendiada competia com o tresloucado vocalista ucraniano para saber quem conseguia ficar mais tempo sem parar quieto. O percussionista equatoriano Pedro Erazo também entrou na disputa, assumindo o papel de MC em boa parte do show.
O set list foi bastante similar ao show apresentado no Tim Festival de 2008: abriram com "Ultimate" e não deixaram o público descansar até a última música, tocando principalmente canções dos dois últimos álbuns, "Super Taranta" (2007) e "Gipsy Punks Underdog World Strike" (2005).
O repertório contou com as já consagradas "Wonderlust king", "Tribal connection", "Not a crime", e é claro, "Start Wearing Purple", cantada e dançada por todos com a empolgação de um típico cigano da Romênia (incluindo o Romani que vos escreve, que inclusive, também estava vestindo roxo). O blecaute também foi assunto durante a apresentação. Eugene Hutz agradeceu a presença de todos mesmo com o apagão, e cantou vantagem por estar no "único lugar de São Paulo com energia elétrica".
No bis, Eugene Hutz volta sozinho ao palco para fazer uma versão voz e violão de "Alcohol". E eu não preciso nem dizer que assim como no resto do show, o coro foi uníssono. Além da manjada cover de "Mala vida" do Mano Negra, o bis do Gogol Bordello apresentou uma série de surpresas para os fãs da banda. Um medley infinito de canções fez com que o Via Funchal acendesse suas luzes em um determinado momento. O fato foi ignorado pelo grupo, que continuava tocando sem parar.
Por volta de 1h35 da madrugada, o Gogol Bordello dava fim ao ritual, não sem antes atender ao pranto dos fãs. Eugene Hutz e uma de suas mezzo dançarinas, mezzo vocalistas, desceram até a grade para tirar fotos e distribuir autógrafos para aqueles resistentes aventureiros que aguentaram até o final. Enquanto isso, o jornalista e trabalhador noturno aqui deixava o Via Funchal suado e feliz, sabendo que iria ter pique o suficiente para trabalhar na cobertura do apagão até o nascer do sol. E foi exatamente isso o que aconteceu.
Confira abaixo as fotos deste show pela fotógrafa Jakelyne Lechinewski.
Denis Romani - @romani83
Imagens deste show:
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