Faith No More & Monno Em BH 08/11/2009 - Chevrolet Hall - Belo Horizonte/MG
Lá eu fui para as terras mineiras novamente, e desta vez para um show muito especial. Meus amigos da banda Monno foram convidados para abrir o show do Faith No More e, é claro, não pude deixar de ir. Já estava quase comprando meus ingressos para os shows aqui de Sampa, no Maquinaria, quando surgiu o convite para fotografar por lá.
Confesso que para mim foi duplamente especial. Monno já é uma das minhas apostas no rock brasileiro há uns bons 2 anos, e não preciso dizer muito sobre Faith No More. Lembro que eu com meus 10, 11 anos, pirava nas músicas que meus irmãos mais velhos escutavam e quando dava conta, já estava roubando seus CD’s sem que percebessem.
Toda essa introdução para deixar claro que eu sim, PAGO UM PAU danado para o maluco Mike Patton. “Easy” foi amor a primeira escutada (tudo bem que não é deles, é cover do Commodores), mas “Falling to Pieces” ganhou meu coração no primeiro acorde e "King for a Day... Fool For A Lifetime" foi meu CD preferido por muito tempo.
Sobre o show, foi um sonho realizado... Mas, começando do começo, devo dar o mérito ao Monno. Por mais que eu goste muito da banda, quando soube que iam abrir para o FNM levei até um pouco de susto... É pertinente falar que o som indie-rock do Monno não tem muito a ver com o “tapa-na-cara” do FNM, mas a estranheza sumiu quando vi os meninos no palco, se apresentando sem medo de ser feliz!
Devido a alguns atrasos na passagem de som do FNM, o show da banda de abertura perdeu 15 minutos do que estava programado. Tocaram 7 músicas em meia hora de apresentação, com destaque para a balada-hit “O Pouco Que eu Quis”, a roqueira “Um Dia” e uma belíssima música nova, ainda sem nome definido. Com postura excelente, o Monno tocou para fãs ansiosos por outra banda e manteve o humor que precisavam para fazer um ótimo show. São nessas horas o que vale é a música, e se ela é bem executada, se chega ao ponto principal de sua existência: atingir seu público, provocando diferentes emoções.
Os fãs do FNM, obviamente, estavam lá por um único objetivo e naturalmente, aclamavam pela banda principal. Quando o show de abertura terminou, começou o fervor e dava para sentir a ansiedade no rosto de cada um.
A troca de palco foi rápida e mal deu tempo para tomar a básica cervejinha, jantar um pãozinho de queijo e arrumar a cam. Feliz que nem criança que ganha brinquedo novo, lá fui eu para o snake pit reservado para a imprensa, semi-tremendo as pernas. Confesso: sou novata nisso tudo, e fotografar show grande de banda gringa que você cresceu escutando é uma doideira só! MIKE PATTON logo mais estaria alí, na minha frente, a uma mão de distância... Eis que surge o cara, com seu terninho e sua cara de maluco dos olhos-do-demo tão típicos. Desta vez, o terno era prateado e brilhante, um arraso.
Como já era esperado, “Midnight Cowboy” abriu o show, com Patton mega estiloso tocando escaleta sob a luz vermelha do palco. Só aquela visão já bastava para saber que o show seria lindo, impecável e sincero. Após a calmaria, o show segue com a ótima “The Real Thing” e continua explodido com “Land of Sunshine” e “Caffeine”, até chegar em “Evidence”, cantada inteira em português.
O set foi basicamente o mesmo dos outros shows da turnê brasileira, fora do fato de ter sido MENOR. Os dois últimos BIS foram cortados, e por lá ficamos sem “Falling To Pieces” (que rolou no Rio), “We Care a Lot” (Rio, POA e Sampa - essa foi sacanagem, queria MUITO ter visto!) ou a fodástica “Digging the Grave” (Sampa). Mas, pelo menos, nós fomos os únicos que fomos presenteados com “Mark Bowen”, que fechou o show, de uma maneira até meio bizarra.
Sem acreditar que tinha acabado, permaneci onde estava justamente porque sabia que nas outras cidades rolaram mais de um BIS. Talvez por ser o último show da turnê, ou por que os mineiros pareciam mais tímidos, FNM encerrou meio assim, do nada. Sinceramente, achei estranho, mas nem liguei. Estava besta com o show, suada, melada e cheia de lágrimas no rosto. Aposto que muita gente deveria estar assim também.
Entre as músicas executadas rolaram vários momentos memoráveis, como a homenagem *gasp* de “Evidence” ao Atlético Mineiro - o Galo, que tinha acabado de perder por 2x0 para o Flamengo, o roddie aleatório que entrou no palco com a camiseta do Flamengo, a mistura de “Ela É Carioca” com a música “Caralho Voador”, a piada infame com a galera que se perdia em cantar sozinha, quando Mike soltou um “Vocês querem que eu cante Madonna?”, após alguns minutos de silêncio e o absoluto e fantástico coro “Porra Caralho”, repetido em toda a turnê por aqui e que até já virou a #hashtag para os shows no @twitter!
No meio de piadas ou surtando enlouquecido e caindo no chão, Mike Patton mostrou porque é um dos melhores vocais da história, como bem disse nosso editor Wlad Cruz, em resenha passada. Sem querer desmerecer Billy Gould, Mike Bordin, Roddy Bottum e Jonh Hudson, que também são excelentes músicos e detonam cada um em seu instrumento, mas a noite foi de Patton e na verdade sempre é, o front-man da banda, o mais maluco, mais pirado e sem noção do palco do Faith No More, que mistura o bom humor com um cinismo impecável.
Apesar de ser o show mais curto da turnê e não ter alguns dos hits esperados, fez história entre os mineiros e a paulista aqui, que preferiu ver lá num palco pequeno ao mega ambiente gigante no Maquinaria. Show honesto, verdadeiro, engraçado, tenso e de arrepiar até o último fio de cabelo. Show que vai ficar para a história, na minha e de muitos outros.
SetList completo:
Midnight Cowboy (John Barry cover)
The Real Thing
Land of Sunshine
Caffeine
Evidence
Surprise! You're Dead!
Last Cup of Sorrow
Ricochet
Easy (Commodores cover)
Epic
Midlife Crisis
Caralho Voador / Ela é Carioca (Vinicius de Moraes / Antonio Carlos Jobim Cover)
The Gentle Art of Making Enemies
King for a Day
Ashes to Ashes
Just a Man
BIS:
Chariots Of Fire/Stripsearch
Mark Bowen
Confira abaixo algumas fotos deste show:
Maripê
Imagens deste show:
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