Esteban 25/02/2010 - Hangar 110 - São Paulo/SP
Em 8 de fevereiro li no twitter de @estebantavares “http://twitpic.com/123r53 - Galera de SP. Aqui estão as informações para o show do ESTEBAN!!!”.
Pensei: “nossa, o Tavares vai fazer um show do projeto solo dele aqui em São Paulo. Será que vai virar?”. Quanta inocência a minha, né? Em uma semana o primeiro lote de ingressos já estava esgotado. E esse não foi o único pensamento errado que tive na noite.
A abertura das portas do Hangar 110 estava marcada para às 20h, mas cheguei às 18h30, certa de que encontraria a rua toda vazia. Erro meu. A fila dos ingressos antecipados já estava enorme e as pessoas, debaixo de chuva, esperavam ansiosamente para entrar na casa. A caminho de lá eu achava que iria encontrar aquelas pessoas que já são de esperar... os fãs de Fresno , Abril (banda paralela e original de Tavares) e todo esse pessoal que costuma ir nos shows. E advinha? Errei de novo. É claro que essas pessoas que eu esperava estavam lá, mas além delas havia adultos na fila, que de início pensei que eram pais que foram acompanhar os filhos, e depois descobri que alguns deles não eram pais de ninguém, foram lá para ver o show mesmo.
O Hangar 110 estava lotado. Toda vez que um dos “fresnos” aparecia lá em cima, nas famosas cadeirinhas do Hangar, era pura histeria. E chega então a hora de Tavares entrar em cena.
Gritos, palmas e assobios de costume. O palco era composto por um baixista, um guitarrista, um baterista e Tavares no teclado. Ele abre o show com “Visita” e já emenda ‘Tudo pra você”; ambas cantadas em uma só voz (como a maioria das outras que foram tocadas depois). Logo de cara ele agradece e diz que nem no dia mais otimista de sua vida esperava que a noite fosse como estava sendo. Ao anunciar que tocaria “Canal 12” - música que ainda não tem versão definitiva e que está disponível somente no youtube em um vídeo gravado de uma twitcam - o público vai a loucura.
Depois dela vieram diversas músicas desse seu projeto solo, como: “Aline”, “Muda” e “Pianinho”. O show também contou com versões de “Piano Bar” do Engenheiros do Hawaii, “Michelle” dos Beatles e “Além do que se vê” do Los Hermanos, que teve a participação de Vavo tocando concha.
Além destas versões - que não podem ser nem de longe chamadas de covers, já que ele dá a sua cara para as músicas - houve também uma versão de “Naive Orleans” do Anberlin. Nesta música, Tavares convidou seu companheiro de banda, Lucas Silveira, para acompanhá-lo. No fim desta, a galera começa a gritar: “Milonga! Milonga! Milonga!” e instantaneamente eles começam a tocá-la. A música foi cantada pelo público, que fazia a veia saltar da garganta, e com isso Lucas declara que essa foi a melhor música que ele já escreveu (e pelo jeito os fãs concordam, e eu também).
Ele tocava e cantava as músicas com uma emoção que vinha de dentro. Apesar de sentado, fazia gestos com as mãos, expressões e com o tom de voz conseguia deixar claro que estava tomado pelo êxtase que os fãs transmitiam. Declarou, por varias vezes, que era tímido e por isso não conseguia sentar lá e conversar com o público. E por isso, talvez, tenha tocado uma música atrás da outra, sem delongas.
Tavares decide terminar o show com a sua música mais conhecida, “Sophia”. Foi só nessa hora que ele resolveu sair de trás do teclado, pegar o microfone e ir para a frente do palco, chegar mais perto das pessoas. Mas, o show não acabou por aí. Ele sai do palco e volta depois de alguns segundos. Resolveu tocar mais uma música. Chamou, então, Cacique, guitarrista da Abril, e tocaram a última do show, que foi “Sinto muito blues”.
Ele agradece mais um sem número de vezes pela presença de todos que lotaram a casa nessa quinta feira. Diz que jamais esperava que fosse tanta gente e que ele pretende voltar em breve. A emoção dos fãs era nítida. Todos cantaram com força, alguns choravam e sorriam ao mesmo tempo, com brilho nos olhos. Não foi um show animado, daqueles que a galera pula, dá mosh e tudo mais. Ouvi alguns dizerem até que o show foi um pouco triste, mas eu discordo, diria que foi um show adulto e romântico (no melhor sentido da palavra). A noite foi agradável, de músicas dançantes, calmas e cantadas por essa voz rouca que agrada a tantos ouvidos.
Confira abaixo fotos deste show pelo nosso fotógrafo Luringa.
Priscilla Kanda - @priihkanda
Imagens deste show:
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